Para quem ainda não conhece, a compulsão alimentar é a prática recorrente de comer
excessivamente e de modo descontrolado em um curto espaço de tempo, além de ser em uma
quantidade maior que o organismo realmente necessita. Além disso, os sentimentos de culpa
ou arrependimento costumam acompanhar os episódios compulsivos.
Segundo Rafael Marques Soares, nutricionista e pesquisador do Instituto de Pesquisa do
Hospital do Coração de São Paulo, o primeiro ponto a ser esclarecido é que a compulsão
alimentar é um sintoma que se manifesta como um comportamento de algumas doenças
psiquiátricas, entre elas o Transtorno da Compulsão Alimentar (TCA).
Ele pontua que nem todo episódio de compulsão é considerado o transtorno em si. Pode
acontecer de, em momentos específicos, existirem exageros alimentares, até compulsão
mesmo, mas que por si só não configuram um quadro clínico. Essa diferenciação é importante
porque esse sintoma, que faz parte do TCA, tem critérios de diagnóstico bem estabelecidos.
“Hoje com as redes sociais vemos pessoas que postam foto de dois brigadeiros e falam: ‘nossa,
tive uma compulsão’. Ou que comeram duas fatias de pizza ou um pedaço a mais de bolo de
aniversário. A partir daí, outras pessoas começam a se questionar se estão tendo uma
compulsão por fazerem algo parecido. Por conta desses modismos dietéticos, por essa
preocupação exagerada e até por algum desserviço que as redes sociais prestam, é preciso
diferenciar bem o que pode ou não ser sintoma de doenças graves como, por exemplo, bulimia
e TCA. Dissociar isso um pouco para que as pessoas não fiquem desnecessariamente culpadas
ou preocupadas por estarem comendo normal”, explica.
Por isso, é importante ficar atento aos sinais, principalmente se a situação citada lá no
comecinho tem se tornado uma rotina na sua vida. Uma vez que pessoas com compulsão
alimentar podem estar lutando para lidar com a tristeza, a raiva, o estresse, a ansiedade e
outros sentimentos e emoções.
Qual é o limite entre a fome e a vontade de comer?
Sentir fome, além de saudável, é fundamental. Afinal, é assim que nosso corpo obtém a
energia necessária para se manter em funcionamento. Acontece que esse ato tão natural
pode, por alguma razão, ficar desregulado.
Como é feito o tratamento?
O tratamento do transtorno de compulsão alimentar, quando assim se configura, envolve o
acompanhamento com psicólogo, psiquiatra e nutricionista. O primeiro passo é avaliar
critérios diagnósticos, investigar a possibilidade de transtornos associados e compreender a
complexidade da temática. Também é importante o apoio da rede familiar e uma abordagem
sem estigmas para entender melhor o que se passa com essa pessoa e, assim, direcionar
adequadamente o tratamento.




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